Para a exposição Não se assuste, pessoa, com curadoria de Tálisson Melo, desenvolvemos a identidade visual e o sistema de comunicação visual da mostra, dedicada a um recorte inédito da Coleção Alípio Freire, incorporada em 2023 ao acervo do Memorial da Resistência de São Paulo.
Reunindo desenhos realizados por presos e presas políticos em diferentes unidades prisionais de São Paulo entre 1969 e 1979, a exposição evidencia a produção artística como espaço de expressão, preservação de vínculos e afirmação da subjetividade diante da repressão e da violência de Estado. Ao lado dessas obras, trabalhos do acervo da Pinacoteca de São Paulo ampliam o percurso e estabelecem diálogos entre diferentes formas de criação artística mobilizadas em contextos de resistência.
A identidade parte justamente dessa tensão entre confinamento e liberdade. As barras, elemento recorrente na comunicação, remetem inicialmente ao imaginário da prisão, mas são deslocadas de seu sentido literal para assumir a forma de linhas de uma partitura musical. Esse gesto aproxima a linguagem visual do próprio título da exposição, retirado da canção Não se assuste, pessoa, dos Novos Baianos, e também de uma das obras apresentadas na mostra, um desenho de Antonio Benetazzo realizado sobre uma página de caderno musical.
No desenho, quando a folha é posicionada verticalmente, as linhas da pauta transformam-se visualmente em barras de uma cela. A partir dessa mesma operação, a identidade propõe uma inversão: aquilo que remete ao encarceramento também pode se tornar espaço para a criação e para o escape. A música, a arte e o desenho aparecem, assim, como possibilidades de atravessar os limites impostos pelo cárcere.
A comunicação visual explora essa ambiguidade, fazendo das barras não apenas um símbolo de contenção, mas também uma estrutura gráfica que organiza, movimenta e abre o campo visual. A identidade procura, dessa forma, traduzir uma das questões centrais da exposição: mesmo em condições de confinamento e repressão, a criação pode constituir um território de autonomia, resistência e liberdade.
For the exhibition Não se assute pessoa, curated by Tálisson Melo, we developed the visual identity and communication system for the show, which presents an unprecedented selection from the Alípio Freire Collection, featuring drawings created by political prisoners in different prisons across São Paulo between 1969 and 1979. The works reveal art as a space for expression, the preservation of personal bonds, and resistance in the face of repression and state violence.
The visual identity is rooted in the tension between confinement and freedom. The bars, a central element of the visual language, evoke imprisonment while also taking the form of lines on a musical staff, referencing the exhibition’s title, taken from a song by Brazilian band Novos Baianos, and a drawing by Benetazzo made on a page from a music notebook. When positioned vertically, the lines of the musical staff visually transform into the bars of a prison cell.
Through this inversion, the identity suggests that what symbolizes confinement can also become a space for creation and escape. The bars cease to represent containment alone and become a graphic structure that conveys art as a territory of autonomy, resistance, and freedom.
Não se assuste pessoa, Memorial da Resistência de São Paulo

ficha técnica

projeto gráfico e comunicação visual 
Estúdio Agudo
Débora Gomes
Fabrício Gonçalves

diagramação
Débora Gomes
Fabrício Gonçalves
Tatiana Zapata

registros da exposição
Isabella Matheus/Acervo Memorial da Resistência de São Paulo

curadoria 
Tálisson Melo 

pesquisa e textos
Juliana Proenço de Oliveira 
Pedro Luiz Stevolo 
Vanessa Miyashiro 

produção
Lucas Ribeiro
Uma Reis Sorrequia 

realização
Associação Pinacoteca Arte e Cultura (APAC)
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